Arte

LOVERS WEEK:
NESTOR JUNIOR

Nessa semana o Lovers Week traz a arte de Nestor Junior. Desenhista desde a adolescência, se dedicou às artes numa jornada de experimentos e expressão de sua identidade, inspirado pela proximidade do mar e natureza, assim como pessoas e outras lembranças de sua infância na fazenda. Jornada essa que dura até hoje, e que revela e impressiona a cada novo trabalho.

Hoje o artista vive em Florianópolis e suas pinturas podem ser encontrados em galerias em diversas partes do Brasil. Na sua produção constam delicadas aquarelas, desenhos a nanquim, murais e paredes decorativas, tudo marcado pelo seu estilo pessoal leve, fluído e sensual. Nestor já foi publicado em revistas nacionais e internacionais, e é um jovem talento com muito a oferecer. A Triton Lovers o entrevista para saber mais de sua carreira, e traz a exclusiva para você – Confira:

De que forma você acredita que sua arte se conecta com o zeitgeist, o espírito do seu tempo?
De certa forma cada artista se conecta com o tempo em que ele vive. Me parece inevitável essa ligação. No caso do meu trabalho minhas obras são quase que 100% resultantes das referências que me cercam ou em algum momento já estiveram presentes no decorrer da minha vida.

Numa realidade onde todas as respostas estão a um clique, ainda faz sentido a arte questionar?
Totalmente. Mas a questão não busca necessariamente uma resposta. Ainda que seja perguntado (risos). E principalmente não busca uma resposta do espectador…

O que te levou a escolher o caminho das artes?
Foi meio automático. Sempre desenhei e trabalhar com desenho sempre foi uma vontade e um desejo. No inicio da minha vida profissional eu não sabia muito bem como era o mercado das artes – e ainda estou aprendendo (risos), então acabei optando por estudar Comunicação, pois seria uma maneira de usar meu trabalho de uma forma comercial nas ilustrações. No fim do curso comecei a expor, daí foram rolando convites, possibilidades, vendas e assim segui…

E o que te motiva a continuar fazendo arte?
É uma resposta que não sei dar. Simplesmente é uma necessidade. Não posso continuar a fazer outra coisa…


Fale um pouco sobre seu processo de criação:
Meu processo ainda é um pouco caotico. Em geral eu não separo muito meus trabalhos em série, não consigo organizar a criação dessa forma. Embora eu tente. Mas percebo que me influenciam demais o tempo, as estações… Geralmente uso elementos do dia a dia na composição dos trabalhos.
Em geral meu processo passa por fases de muita criação, pintura e outras mais “vazias” em que não posso pintar, que não tenho vontade, que não me agrada. Nesse periodo, em geral eu trabalho muito com idéias – escrevo, rabisco e quando volto a produzir, a pintar, vou remodelando as coisas esboçadas, acrescentando coisas, juntando outras. Vou basicamente nesse ritmo…

Além da figura humana, a natureza e o erotismo são motivos que se repetem ao longo da sua produção – e o que poderia ser chocante ou vulgar não o é principalmente pela composição idílica e delicadeza das obras. O quão natural para você é tratar esses temas?
Esses três elementos sempre foram muito presentes na minha vida, principalmente na infância: cresci num sítio, rodeado de animais, verde, rios, o mar não muito distante. O erotismo na verdade se caracterizou nesse periodo, como uma desmistificação da nudez. Meus pais sempre andaram a vontade em casa e acho que isso me trouxe essa carga erótica, mas que ao mesmo tempo tem uma doçura, uma naturalidade. Não choca. Quer dizer, ainda choca, mas para mim me parece doce…


Larga parte da sua produção é composta de aquarelas. Numa era onde o digital está com toda a força, o que te motiva a continuar nas técnicas manuais?
Ja experimentei o digital – fui designer por um tempo – mas acho que o manual para mim me permite ir muito mais além. Gosto da improbabilidade que principalmente a aquarela me proporciona. Eu as vezes comando, outras vezes ela me leva… É o meu suporte. E acho que não vai mudar…

Na sua opinião, a arte é para todos ou para poucos?
A arte é para quem por ela se interessa.


Quais são os artistas ou movimentos artísticos que influenciaram o seu estilo? Qual o papel deles na formação seu traço?
Na verdade as referências vão muito além das escolas e de outros artistas. Obviamente admiro muitos dos grandes mestres da pintura, por exemplo. Mas o que me trouxe para a arte foi o cinema. Depois conheci os pintores, depois vi que existiam muitos e muitos jovens artistas como eu produzindo e acho que só ai me reconheci como um deles, e isso nem faz muito tempo. Mas se é pra citar nomes de referencias: Gosto do surrealismo, depois posso citar o pintores Gustave Courbet, Cícero Dias, o cineasta Pedro Almodovar, a jovem artista Ana Verana e por aí vai…

De que forma o lugar onde você vive influencia seu trabalho?
Eu me inspiro muito pelo que me rodeia, principalmente por elementos maritimos, embora nem sempre de forma direta, as vezes uso uma textura, o movimento… e meu trabalho é sasonal, ali estão os elementos da natureza de cada período que eu vou trazendo para a composição das minhas aquarelas. E não só do lugar, mas também das histórias, das pessoas…

Nestor Junior é um artista jovem de sucesso com uma produção vasta e carregada de alegorias e erotismo. Infelizmente não pudemos compartilhar mais de seus trabalhos, porém fica a dica para conferir a produção dele em detalhes e sem censura: Acesse o Flickr NESTOR JR * ARTE E ILUSTRAÇÕES e se impressione com o talento do rapaz!

E você – artista, designer, fotógrafo – quer fazer parte do Lovers Week? Mande seu portfolio para thetritonlovers@gmail.com ou adicione a Triton Lovers no Flickr como contato. Compartilhe a idéia, e apresente sua visão.