No Lovers Week dessa semana, a Triton Lovers apresenta a arte de Fabio Gava. Natural de Santos, o artista mora em São Paulo desde 2004. A agitação da grande metrópole e pela street art que aparece por todos os cantos com os grafites, adesivos e lambe-lambe de artistas famosos e anônimos, despertam e inspiram a sua vocação para a arte.

O trabalho de Fabio evoca uma qualidade naïf – ingênua, instintiva e original. Na maioria das vezes não esboça, pois acredita que o desenho é um reflexo do inconsciente. Fabio trabalha na revista virtual colaborativa SoLocos, na qual desenvolve um diálogo e mostra o portfolio de outros artistas, a grande maioria nacionais, e agora colabora com a Triton Lovers numa entrevista sobre sua vida, obra e inspiração.

De que forma você acredita que sua arte se conecta com o zeitgeist, o espírito do seu tempo?
Eu sou dos moleques que estão no meio do furacão. O caos gerado pela nossa época, sou parte de tudo isso, vivo isso intensamente as mudanças. E isso se reflete na minha arte.
Numa realidade onde todas as respostas estão a um clique, ainda faz sentido a arte questionar?
Sempre. O papel da arte sempre foi interrogar o indivíduo. Existem coisas que não podem ser explicadas com palavras: o questionamento vem na forma de uma pincelada ao sorriso de Monalisa. A tecnologia é uma grande aliada da curiosidade do ser, e devemos não só questionar o mundo, mas nos questionar – a arte está aí pra isso.

Quais as motivações da sua arte?
Sou motivado por forças praticamente fisiológicas, algo me pede que eu largue o que estou fazendo e vá pintar. É como se eu precisasse descarregar frustrações, raiva e sonhos, para me sentir mais leve.
Fale um pouco sobre seu processo de criação:
Não tenho muita rotina pra pintar, posso estar em casa e resolvo que é hora de ir produzir, ou posso estar na casa de um amigo, aí eu peço alguma caneta, um papel – nem que seja pra fazer anotações ou desenhos rápidos. Quando estou na rua e não tenho como fazer nada, anoto no celular, mas é meio por frustração.

Que tipo de técnica você utiliza?
Nas pinturas dos meus últimos trabalhos, uso muita tinta acrílica. E quando tenho oportunidade, gosto de usar suportes que aguentem pregos, lixa, massa corida e até fogo.
A arte é para todos ou para poucos?
A arte é para todos, seja para apreciação e até mesmo criação. É uma forma de expressão como qualquer outra. Isso faz bem pro indivíduo e todo mundo tem algo a exteriorizar.

Quais as suas referências?
Valorizo muito o trabalho de artistas da cena nacional como Sesper, Titi Freak e Herbert Baglione. Admiro muito Van Gogh, Basquiat e meus amigos. Hardcore é referência.
De que forma o lugar onde você vive influencia se trabalho?
O lugar onde eu vivo é o meu trabalho, meu trabalho é o lugar onde eu vivo. Sou totalmente influenciado por onde estou criando – quando estou fazendo algo onde existe uma grande quantidade de pessoas, eu coloco meu fone de ouvido e tento me ligar ao que eu tenho de mais próximo, as músicas que eu escuto.

Essas são as cores, texturas e palavras de Fabio Gava. E você – artista, designer, fotógrafo – quer fazer parte do Lovers Week? Mande seu portfolio para thetritonlovers@gmail.com ou adicione a Triton Lovers no Flickr como contato. Compartilhe a idéia, e apresente sua visão.
